O quarto capítulo da série de sucesso Devil May
Cry revelou-se desde cedo um jogo visualmente atraente com muita acção à mistura. Mas o resultado final deste título da Capcom veio revelar-se muito mais surpreendente do que muitos talvez esperavam. Devil May Cry 4 cumpre de forma assinalável quase tudo aquilo a que se propõe, sendo portanto, um título altamente recomendável para os fãs dos jogos de acção, mas acima de tudo, para todos os fãs dos bons jogos.
Aspecto Visual (9/10)
É, sem dúvida, um dos pontos fortes do jogo. Desde a qualidade gráfica ao cuidado e pormenor dispendido a cada cenário, tudo parece roçar a perfeição. As sequências de vídeo são uma pequena maravilha, e através delas, vamos conhecendo gradualmente a história por detrás da acção. Tanto estas sequências como as partes jogáveis correm com muita suavidade e posso afirmar que em momento algum notei quebras de fluidez.
Infelizmente também é no campo visual que encontramos o “calcanhar de Aquiles”, a maior falha de Devil May Cry. Falamos do posicionamento das câmaras, que muitas vezes, não é o melhor. Algo que ajuda a explicar este problema tem a ver com a intenção da Capcom em nos dar sempre um panorama vistoso dos seus diversos e imponentes cenários. Isto implica uma redução substancial da atenção dada ao posicionamente do personagem em grande parte da acção. Muitas vezes damos por nós com extrema dificuldade em perceber onde estão os inimigos à nossa volta, precisamente devido a este mau posicionamento das câmaras que acompanham a acção.Ainda algo que deixa um pouco a desejar é o facto de haver alguma repetição de cenários. Não é no entanto algo tão grave que retire uma nota alta ao aspecto visual do jogo, e caso tivessem sido mais trabalhados este aspectos, teria certamente a nota máxima.
Som (9/10)
Outro “touch down” da Capcom é em dúvida o campo sonoro. As vozes das personagens que nos acompanham na história são muito bem conseguidas. Algumas das conversas são recheadas de humor e sem dúvida que, a isto não é alheio o trabalho desenvolvido pelos actores que emprestaram as suas vozes.
As melodias que acompanham a história vão desde o rock nas parte de mais acção, a músicas mais calmas, um pouco góticas nos momentos mais sentimentais.
História (9/10)
Permitam-me discordar de algumas opiniões que apontam para uma fraca história em detrimento dos restantes aspectos do jogo. Pessoalmente achei a história muito sólida, muito bem delineada e com momentos absolutamente inesquecíveis.

Já referi anteriormente as sequências de vídeo. É realmente através destas que vamos “desbloqueando” a história e ficamos a saber um pouco mais do que realmente se passa à nossa volta. Estas sequências são compostas por cenas de acção memoráveis, repletas de estilo, mas também por cenas repletas de sentimento. Esta mistura de acção/sentimentalismo é extremamente bem conseguida e nunca sentimos que determinada cena é forçada ou deslocada da história. Tudo encaixa perfeitamente e quando damos por nós, estamos sequiosos de seguir a história de Devil May Cry 4 ao mesmo tempo que o jogamos.
Ao longo da história temos a oportundidade de alternar o personagem entre Nero e o já conhecido Dante sendo qualquer um deles um óptimo “acompanhante”.
Jogabilidade (8/10)
É extremamente simples controlar o nosso personagem uma vez que a Capcom decidiu mesmo, não complicar e fazer da simplicidade a regra áurea. Cada botão controla um elemento específico não sendo necessárias grandes combinações de botões para os combos mais complicados. Podemos a qualquer momento consultar o menu e verificar qual a combinação de teclas para determinada acção, mas repito, nada de demasiado complicado, o que facilita a imersão no jogo.
Ao dispor do jogador estarão diversas armas, desde o “Devil Bringer” de Nero, que não é mais que o seu braço “demoníaco” que podemos usar a quaquer momento. Existem ainda as tradicionais espadas e as pistolas, que a mim pareceram muito pouco úteis uma vez que o seu nível de dano é mínimo. Mais perto do final da história temos a possibilidade de jogar com Dante e experimentar armas extremamente interessantes e originais como por exemplo uma mala que se transforma em 1001 armas diferentes, consoante as passwords que desejarmos obter no menu.
Pormenores (10/10)
Dou a nota máxima aos pormenores porque este é sem dúvida o jogo com mais estilo que alguma vez joguei. Tanto Nero como Dante apresentam um carisma que tem tanto de incomum como de surpreendente. O cuidado dado a estes personagens principais bem como aos restantes personagens secundários do jogo é algo que merece ser visto e revisto como exemplo a seguir.O humor patente nas diversas cenas de acção juntamente com o referido estilo inconfundível das personagens faz-nos sentir uma empatia pelos personagens que raramente é vista em outros jogos.
Outro valor acrescentado aos pormenores é o cuidado dispendido nos detalhes dos diversos cenários, algo já mencionado no campo visual. Todos os aspectos foram cuidadosamente trabalhados culminado num jogo que merece da minha parte nota máxima em pormenores.
Notas finais
Devil May Cry 4 foi sem dúvida uma agradável surpresa. Não porque não esperasse um bom jogo mas porque o resultado final foi sem dúvida superior às minhas expectativas.
Recomendo este jogo como uma compra obrigatória e para aqueles que possam estar preocupados com os aspectos negativos mencionados, podem estar descansados. Além de não prejudicarem a experiência geral, são completamente abafados pelos inúmeros aspectos positivos do jogo. Para já, um “must” de 2008. Um bom início de ano sem dúvida!
Pontuação final: 9/10

















